
A greve dos trabalhadores da Viação Porto Seguro, responsável pelo transporte coletivo no litoral norte do município, chega ao quarto dia nesta sexta-feira (26), deixando milhares de passageiros sem ônibus e escancarando a crise do transporte público na cidade.
A paralisação foi iniciada pela categoria como forma de pressionar o sindicato, a Prefeitura e a Secretaria Municipal de Mobilidade e Ordem Pública (SEMOP) por uma solução para o impasse nas negociações da convenção coletiva. Segundo os rodoviários, até o momento não houve acordo.
Entre as principais reivindicações estão a manutenção do vale-alimentação, do prêmio "Dirija e Cobre" e o pagamento do adiantamento salarial, benefícios que, segundo os trabalhadores, estão ameaçados.
Embora a responsabilidade pelo transporte coletivo seja da Prefeitura, a gestão municipal permanece em silêncio diante da greve e dos transtornos enfrentados pela população. A falta de posicionamento reforça a sensação de abandono vivida pelos usuários, que há anos convivem com um serviço considerado precário.
A realidade do transporte coletivo em Porto Seguro é marcada por uma frota envelhecida, conhecida pela população como "sucatão", com veículos que quebram constantemente, atrasos frequentes, falta de horários regulares e até registros de ônibus que já pegaram fogo. Um cenário que evidencia a falta de investimentos e de fiscalização.
Como se não bastasse, a maioria dos pontos de ônibus da cidade sequer oferece abrigo adequado aos passageiros, que ficam expostos ao sol e à chuva enquanto aguardam um transporte que muitas vezes nem chega.
A greve apenas escancarou um problema antigo: o transporte público de Porto Seguro está em colapso. Enquanto trabalhadores lutam por seus direitos e usuários sofrem com a falta de ônibus, a omissão do poder público aprofunda uma crise que parece não ter prazo para acabar.