Finge, pode ser bom mentir um sorriso
Omitir um brilho no olhar
Dissimular se fizer menos sofrer
Olha a abelha comumente nas auréolas da flor
Esvoaça, faz zumbido com as asas
Tão leviana e causa medo às nossas orelhas
Ouça o pio da coruja no breu
Traz o pecado arteiro das fibras
E acreditamos venha ser o presságio no cio
Morda o caqui e vê como amarra
Adormecida língua lambendo o lábio
Que somente arrepia por estar verde
Cheira a translucida escama do peixe
Que se deixa fisgar pela gula esguia
Da farta e arisca suicida isca
Tateia, passa as mãos pelas costas
De cada uma das estrelas tortas
Com a intensa luminosa saciedade falsa da lua
Mente, pode não ser tão ruim fingir piedade
Quando corre o espírito desconfiado da hora
Propícia de sair ao encalço das certezas
De que tudo nasce e pela mesma porta morre