Meu deus inventou os sonhos
No primeiro perdeu o número
Em seguida esqueceu seu nome
Na tentativa terceira já não via
Se era corpo ou espírito
Aquilo que atravessava os tempos
E a espuma em si mesma renascia
Depois embaraçou as horas nas orlas de areia
E sua língua fez cuspir pedra e fogo
Lavou a boca com risos e lágrimas
E divagou sobre as águas
Como se houvesse sangue carne e osso
Na alma dos ventos onde as sombras flutuam
Então criou as espécies para o chão
Pois nada começa sem a dor do fôlego
E achou que era bom
Porque nada terminava e sim se repetia
Por fim deixou aos loucos a poesia
@psrosseto