Intuição

Para que a poesia?

Perguntaram-me quando menino

Não soube responder

Mas buscava saber

O que me levava a tantos versos

Seriam as asas das rimas

O pensamento a galopar o coração

Fingindo-se apaixonado?

A beleza a ternura os silêncios

Os generosos intervalos das melodias?

Os sentidos que me fugiam

Enquanto mais buscava mais desentendia?

Segui arriscado pelos versos até intuir

Que se a poesia serve para alguma coisa

É para lembrar que o ínfimo é o acorde

Onde o acaso desafina de propósito

Para que possamos cantarolar juntos

Rasgando o peito em dores

Mas sem fugir nem sofrer

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