Morada

Todo dia morrerá sempre um pouco o dia todo

E fará restar ainda outro tanto para a próxima hora

Não é que o propício seja mais cedo ou mais tarde

Ou agora

O cerne sempre estará no intervalo da demora

Desde o findar do ciclo

Até a próxima aurora

Por mais intenso e complexo que pareça sentir

Viver nos desafia os instantes

Por isso

Tudo anseia adiante

Preciso seria seguir no tempo

Ou o tempo estranhar-se com sua exata medida

E a gente ir embora

Mas não há outro lugar

É nesse espaço que a gente mora

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