A torneira no banheiro não para
E eu conto sua insistência até perder a conta
Pingo pingo pingo pingo
Lá fora o céu também canta
Mas a chuva tem pressa
Arruma seus pingos e vai embora
Este da torneira é paciente
Um monge repetindo um sutra
Pingo pingo pingo pingo
Minha mãe dizia
Um dia vais sentir falta desse barulho
Ela tinha razão
Como sempre tem a razão dos mortos
Eu já não sei se o som vem do cano
Ou da minha nuca
Se é água ou se é tempo gotejando contadas
Pingo pingo pingo pingo
Hoje eu quase arrumei a torneira
Mas pensei e se o silêncio doer mais?
Deixa que vire torrente e se dissolva em gotas
Essa repetição insana
Na boca aberta que esqueci na pia
@psrosseto