
Um grupo de pré-candidatos à Câmara dos Deputados lançou um manifesto político propondo a formação da chamada "Bancada da Esquerda Radical", reunindo nomes como Fábio Felix, Fernanda Melchionna, Glauber Braga, Jones Manoel, Renato Freitas, Sâmia Bomfim e Vivi Reis. O documento apresenta uma plataforma de dez propostas que defendem uma inflexão nas políticas econômica, social e institucional do país, posicionando-se como alternativa tanto à extrema direita quanto ao campo político considerado moderado.
Segundo o manifesto, a iniciativa pretende reunir lideranças identificadas com a esquerda radical para fortalecer a atuação parlamentar em defesa dos interesses da classe trabalhadora, enfrentar o avanço do fundamentalismo e ampliar a disputa de projetos políticos no Congresso Nacional. Os signatários afirmam buscar um programa que priorize a participação popular e o fortalecimento dos movimentos sociais.
No campo econômico, o manifesto propõe a revogação do Novo Teto de Gastos e sua substituição por um regime de planejamento orçamentário baseado em metas sociais, ambientais e de soberania nacional. Também defende a revogação das reformas trabalhista e previdenciária, argumentando que ambas reduziram direitos e fragilizaram a proteção social.
Outro eixo central é a revisão da política monetária. O documento propõe o fim da autonomia do Banco Central, defendendo maior controle do governo sobre juros, crédito, câmbio e fluxo de capitais, além de medidas para enfrentar o endividamento das famílias.
Na área tributária, a plataforma prevê reduzir a carga de impostos sobre a população de menor renda e ampliar a tributação sobre renda e patrimônio dos segmentos mais ricos, aproximando o sistema tributário brasileiro dos modelos adotados em países desenvolvidos.
A política industrial também ocupa espaço relevante. Os pré-candidatos defendem medidas para reverter a desindustrialização, incentivar a inovação tecnológica e estruturar um Sistema Nacional Verde e Soberano de Inovação voltado ao desenvolvimento produtivo.
O manifesto apresenta ainda uma agenda de fortalecimento do papel do Estado na economia. Entre as propostas estão a reestatização de setores considerados estratégicos, a criação da empresa pública Terrabras, o reforço da soberania energética e a substituição dos programas de privatização por um Programa Nacional de Reestatização coordenado pelo governo federal.
Na agricultura e no abastecimento, os signatários defendem a realização da reforma agrária, o fortalecimento da CONAB e políticas públicas voltadas à regulação de preços e à redução do custo dos alimentos para a população.
Por fim, o documento propõe a rejeição do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, argumentando que o tratado comprometeria a soberania econômica e industrial do Brasil.
O conjunto das propostas evidencia uma orientação política baseada na ampliação da intervenção estatal na economia, na reversão de reformas implementadas nas últimas décadas e na defesa de um projeto de desenvolvimento nacional associado à soberania econômica, à redistribuição de renda e ao fortalecimento dos serviços públicos. A iniciativa busca consolidar uma articulação entre diferentes lideranças da esquerda socialista e ampliar sua representação na Câmara dos Deputados nas próximas eleições.